Até quando?

Hoje eu estava dando uma olhada no Facebook quando me deparei com um vídeo de uma garota sendo agredida e morta de maneira brutal. O vídeo era tão forte que quando percebi do que se tratava, rapidamente fechei a tela, mas não foi o suficiente para eu não passar o dia pensando sobre isso. Fui consultar o google para ter noção da quantidade assustadora de mulheres que são mortas todos os dias e pasmem, mesmo após mais de um ano da Lei do Feminicídio, ainda não existem estatísticas confiáveis  e recentes sobre o assunto.

Além disso, outro fato curioso foi descobrir que o Brasil ocupa a 5ª posição no ranking de países que mais matam mulheres no mundo. Assustador. Me pergunto onde estão as políticas públicas de proteção da mulher que deveriam ir além da criação de leis como a do Feminicídio e Maria da Penha. Me pergunto até quando mulheres serão mortas apenas por serem mulheres. E aqui eu começo a me questionar sobre até quando a sociedade vai se organizar e caminhar sob essa perspectiva do gênero, do sexo frágil que dia-a-dia vai sendo abatida pela sociedade machista em que vivemos.


A sociedade enquanto instituição viva, sofre transformações todos os dias. O meio, o avanço tecnológico, o acesso rápido a informação, a mudança dos costumes e valores sociais, bem como o grau de instrução dos indivíduos, são os responsáveis por tais transformações. Reflexo disso é a maneira como um grupo de pessoas se organiza, trazendo novas perspectivas sociais, visando uma maneira justa e igualitária de convívio social e buscando transformações relacionadas à igualdade de gêneros. 

E quando essa transformação vai de fato acontecer no Brasil? Quando essa igualdade tão sonhada irá corresponder a realidade?

Infelizmente ainda carregamos uma forte herança de uma sociedade patriarcal, baseada no autoritarismo masculino e na prevalência da vontade dos homens em detrimento dos anseios das mulheres. Fatores como a melhora no grau de escolaridade feminino e consequente independência financeira das mesmas, fazem com que muitos homens sintam-se ameaçados em suas próprias casas, dando ensejo à violência doméstica como uma tentativa de blindar o desenvolvimento feminino baseado na força e no medo.

Paralelo à isso, o déficit do Poder Judiciário Brasileiro e a morosidade do órgão proporcionam a sensação de conforto e impunidade para o agressor, perpetuando ainda mais a violência familiar contra a mulher que, vitimizada,  suporta as dores físicas e psicológicas sozinha frente a um problema social que a cada dia aumenta.

O Feminicídio é mais do que estatística (que inclusive, nem existem ainda), é um problema real e precisa ser combatido. A sociedade transforma-se todos os dias e caminha rumo à igualdade de gêneros, valorização da mulher e proteção do seu direito fundamental, o direito a vida. Os valores sociais precisam ser revistos e ensinados, bem como a lei deve ter a sua eficácia. 

Quem sabe quando ambos caminhares juntos, a mulher terá conquistado seu espaço de verdade.

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4 comentários:

  1. É triste ver isso acontecendo na sociedade, muito triste. Fico indignada quando coisas assim acontecem.

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    1. Rafaella somos duas! Espero que as pessoas mudem suas posturas e que o governo tome providências reais quanto à isso.

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  2. Oi, Samara.
    Muito bom o seu texto e a reflexão que você traz. Não sei se você chegou a ver o tema da redação do Enem do ano passado, que justamente tratava sobre essa questão da violência contra a mulher. Lembro que coloquei na minha redação que as política públicas de proteção à mulher ainda são muito frágeis. Lógico que elas trouxeram mudanças, mas ainda precisam ser aprofundadas e melhor desenvolvidas, pois o número de mulheres vítimas de violência ainda é muito grande. É uma grande pena que ainda temos pensamentos tão retrógrado na sociedade brasileira. Eu vejo que atualmente está se falando mais sobre os direitos das mulheres e espero que esse movimento só se fortifique cada vez mais com o tempo, não dá para continuar assistindo aos índices de violências só aumentando. Acredito que todos podem ajudar com a mudança desse aspecto negativo que assombra o Brasil e o mundo. Tentar conscientizar as pessoas mais próximas é um grande passo para ajudarmos a mudar essa realidade tão lastimável. Parabéns por tratar o tema com tanta maturidade. E vamos continuar lutando pelos direitos das mulheres.
    Um grande abraço!

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  3. Olá,
    Adorei a abordagem do tema e realmente choca saber a posição do Brasil com sendo 5º colocado nesse ranking de violência às mulheres.
    Tudo bem que já vimos algumas medidas serem tomadas para tentar evitar tais atrocidades, mas infelizmente estão sendo ineficientes e também não é uma responsabilidade somente das politicas públicas, mas sim de todos e a mudança precisa começar em casa.
    Falamos tanto em igualdades, mas existem muitas mães com casal de filhos que já começa no berço essa desigualdade entre os sexos, fazendo a menina começar a aprender as tarefas domésticas e isentando o menino do mesmo. Parece uma situação simples e que não trará consequências, mas juntando todas essas atitudes temos o que é hoje a sociedade.

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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